sábado, 17 de abril de 2010

Sobrevivi e vendo





Tudo o que acontece ao nosso redor tem o poder ou nao de nos afetar. Tem o poder ou não de mudar o que somos. Tem o poder ou não de colocar rugas em nosso rosto e cicatrizes profundas em nossa alma.  Dia após dia mudamos o que somos, não para o pior ou para o melhor, mas para o que nos é determinado ser.

A vida passa a se expressar em atos, em palavras, em gestos que relevam o nosso caráter. Mas tudo não passa de uma ilusão. Nossa personalidade, nossa identidade não passam de máscara de nossas almas. Nossas almas são frágeis e com correntes são aprisionadas a corpos que seguem instintos humanos. Nosso eu espiritual  é negado, corrompido e perdendo as forças passa a ser apenas sombra do que nunca foi.

Nossa ansiedade em buscar ares mais limpos, liberdade fingida, só nos leva a se afundar mais e mais. E a cada passo que damos mais longe da verdade nos encontramos, mais na escuridão afundamos.

A tristeza assola, deprime e machuca. Não percebemos que não somente nosso corpo definha. Nossa alma e espírito se angustiam cada vez mais e se encolhem, se recolhem. Acuados, exauridos e confusos. Tornamos-nos ossos secos em carne mais seca ainda, comandados por um coração de pedra, sentimentos frios e insensíveis caminhando pela escuridão.

Afastamo-nos ainda mais do que poderíamos ser, do nosso destino. Sim, porque se o destino fosse sofrer a vida simplesmente não existiria, não haveria a musica, não haveria cores no mundo, não estaríamos aqui.

Mas nossa alma seca e nosso espírito vira névoa. Não vamos ao fundo do poço. Poço é lugar de água, água é lugar de vida, e lá não é nosso lugar. A imensidão do espaço sim possui morte, e para lá nosso espírito flutua, suplica. No vácuo da opressão da vida, na sequidão estratosférica, momentos antes da aniquilação total, nossa alma encolhe ainda mais, congelada, consternada, para explodir em partículas de matéria que nunca teve. Nesse momento, microssegundos antes de deixar de existir, um ínfimo resquício de sensibilidade brilha na retina dos olhos, janela da alma. Na imensidão do gélido espaço, nas paredes do universo as estrelas brilham.

Girando no escuro, frio e desértico vácuo um sopro quente traz esperança em meio a solidão. Um oásis de paz traz de volta o amor esquecido, o calor aconchegante, o fogo apagado. O amor, misto de compaixão e graça brilha mais forte numa pequena estrela. Estrela da vida. Apesar de longe ela aquece mais que tudo que já pensamos ou imaginamos. Seu brilho é pequeno devido a distância, mas seu sopro alcança diretamente o coração de pedra que enfim explode em brilho solar. A alma retoma sua forma e o espírito de névoa liquefeita volta a tomar forma. Nossos destinos não morreram.

 A gravidade nos atrai ao mesmo tempo em que cada célula de nosso corpo se recompõe. Mas se recompõe com uma camada extra de amor. Não somos do mundo para onde voltamos, mas tudo vai ser diferente. Eu voltei e você também. Não morremos. Ele nos deu a vida. Ele nos deu amor. Uma segunda chance. Tudo mudou.

“Eis que tudo se fez novo” (2 CO 5:17)

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